O que é a Síndrome do Pânico

Síndrome do Pânico (SP) é a nomeação corrente que foi adotada para designar um quadro específico de comprometimento da saúde humana, envolvendo sérias alterações de ordem física e psíquica com efeitos altamente incapacitantes. A SP foi definida, e portanto, formalizada nos manuais de psiquiatria como um tipo de transtorno ou distúrbio de ansiedade. Tem sido fonte de amplas discussões entre os especialistas, psiquiatras e psicólogos, e suscitado diferentes posições entre eles, o que reflete as controvérsias quanto à sua compreensão.

Genericamente, pânico significa susto ou pavor. O pânico costuma eclodir em situações em que o ser humano percebe ameaça à sua vida ou à sua integridade física. Esse tipo de pânico é considerado normal já que funciona a favor da auto-preservação ou da sobrevivência. A SP, por sua vez, refere-se a um tipo de pânico tido como patológico.

Os ataques de pânico costumam ser muito semelhantes em todas as pessoas. Algumas de suas manifestações estão presentes em quase todos os relatos: dor no peito, sudorese, taquicardia, sensação de desmaio, confusão mental, contrações musculares, medo de perder o controle, pânico, sensação de morte iminente. A principal característica, considerada o fator distintivo entre a SP e os outros tipos de distúrbios de ansiedade, é a ocorrência de crises ou ataques súbitos que surgem sem fatores desencadeantes aparentes. Geralmente, após a primeira crise, permanece o medo de que retorne. Com o passar do tempo, a maioria dos pacientes, por um processo de associação com a situação da crise, procuram evitar tudo que lembre o sofrimento experimentado. E é nessa fase que desenvolvem os diferentes tipos de fobias.

As descrições feitas do momento do ataque ou da crise de pânico equiparam tais vivências a “algo”, o mais aterrador jamais experienciado antes. Num esforço de tentar comunicar tal momento devastador, as pessoas buscam meios que possibilitem associar, ilustrar ou expressar de alguma maneira o que foi vivido. Sugerem imagens análogas que possam com os seus sinais reconstituir mais fidedignamente o horror que tentam transmitir. E nessa busca de paridade para comunicar o que parece indizível lançam mão do que imaginam ser o “fim do mundo”, ou ... o início de tudo ?

A Síndrome do Pânico, conforme descrita nos compêndios de medicina, surge nesse final de milênio num contexto muito especial, onde tudo parece concorrer para que se mantenha uma atmosfera de sobressalto. Enquanto filha do seu tempo, a SP entretece em sua constituição os valores em vigor no contexto que a enunciou. Na medida em que somos treinados em nosso ambiente atual para valorizar soluções rápidas para qualquer que seja a situação-problema em jogo, a tendência é sustentarmos esse mesmo tipo de expectativa em relação a tudo o que nos cerca, incluindo o que diz respeito aos resultados do tratamento da Síndrome do Pânico.

Se em toda parte vemos pessoas com tensão, ansiedade, dor, insônia, tomarem uma pílula e num instante ficarem boas, felizes, relaxadas, rindo, por que seria diferente a expectativa frente a SP ? Tanto os pacientes como muitos profissionais de saúde são levadas a desejar a pílula mágica, as curas instantâneas, seguindo a atmosfera reinante. No entanto, o que a prática tem testemunhado é que as pessoas tendem a melhorar sem recaídas, quando mudam a maneira de pensar e de se comportar, e não quando seguem somente um tratamento com base em medicamentos, voltado apenas para uma parte da questão em jogo. Para a SP não há pílula mágica.

A ocorrência das crises de pânico, em geral, têm sido relacionada às pequenas adversidades do dia a dia, o que significa que a cura vai depender em grande escala dos fatores ambientais e contextuais, articulados ao que alguns chamam de diálogo interno, isto é, o que cada um se diz a si mesmo, a mensagem, a crença que é enviada, afirmada e reafirmada para si próprio, sobre os sinais advindos da realidade.

Ou seja: é de suma importância no tratamento da SP rever e ressignificar esses aspectos da subjetividade que co-determinam o lidar com a vida como um todo. E para que isso se realize com eficácia, faz-se necessário seguir um processo psicoterapêutico (terapia) com um profissional atualizado com os mais recentes estudos e pesquisas sobre a interação mente/corpo, e em sua articulação com os movimentos da atualidade.

 

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