Genericamente,
pânico significa susto ou pavor. O pânico costuma
eclodir em situações em que o ser humano percebe
ameaça à sua vida ou à sua integridade
física. Esse tipo de pânico é considerado
normal já que funciona a favor da auto-preservação
ou da sobrevivência. A SP, por sua vez, refere-se a
um tipo de pânico tido como patológico.
Os
ataques de pânico costumam ser muito semelhantes em
todas as pessoas. Algumas de suas manifestações
estão presentes em quase todos os relatos: dor no peito,
sudorese, taquicardia, sensação de desmaio,
confusão mental, contrações musculares,
medo de perder o controle, pânico, sensação
de morte iminente. A principal característica, considerada
o fator distintivo entre a SP e os outros tipos de distúrbios
de ansiedade, é a ocorrência de crises ou ataques
súbitos que surgem sem fatores desencadeantes aparentes.
Geralmente, após a primeira crise, permanece o medo
de que retorne. Com o passar do tempo, a maioria dos pacientes,
por um processo de associação com a situação
da crise, procuram evitar tudo que lembre o sofrimento experimentado.
E é nessa fase que desenvolvem os diferentes tipos
de fobias.
As
descrições feitas do momento do ataque ou da
crise de pânico equiparam tais vivências a “algo”,
o mais aterrador jamais experienciado antes. Num esforço
de tentar comunicar tal momento devastador, as pessoas buscam
meios que possibilitem associar, ilustrar ou expressar de
alguma maneira o que foi vivido. Sugerem imagens análogas
que possam com os seus sinais reconstituir mais fidedignamente
o horror que tentam transmitir. E nessa busca de paridade
para comunicar o que parece indizível lançam
mão do que imaginam ser o “fim do mundo”,
ou ... o início de tudo ?
A Síndrome do Pânico, conforme descrita nos compêndios
de medicina, surge nesse final de milênio num contexto
muito especial, onde tudo parece concorrer para que se mantenha
uma atmosfera de sobressalto. Enquanto filha do seu tempo,
a SP entretece em sua constituição os valores
em vigor no contexto que a enunciou. Na medida em que somos
treinados em nosso ambiente atual para valorizar soluções
rápidas para qualquer que seja a situação-problema
em jogo, a tendência é sustentarmos esse mesmo
tipo de expectativa em relação a tudo o que
nos cerca, incluindo o que diz respeito aos resultados do
tratamento da Síndrome do Pânico.
Se
em toda parte vemos pessoas com tensão, ansiedade,
dor, insônia, tomarem uma pílula e num instante
ficarem boas, felizes, relaxadas, rindo, por que seria diferente
a expectativa frente a SP ? Tanto os pacientes como muitos
profissionais de saúde são levadas a desejar
a pílula mágica, as curas instantâneas,
seguindo a atmosfera reinante. No entanto, o que a prática
tem testemunhado é que as pessoas tendem a melhorar
sem recaídas, quando mudam a maneira de pensar e de
se comportar, e não quando seguem somente um tratamento
com base em medicamentos, voltado apenas para uma parte da
questão em jogo. Para a SP não há pílula
mágica.
A
ocorrência das crises de pânico, em geral, têm
sido relacionada às pequenas adversidades do dia a
dia, o que significa que a cura vai depender em grande escala
dos fatores ambientais e contextuais, articulados ao que alguns
chamam de diálogo interno, isto é, o que cada
um se diz a si mesmo, a mensagem, a crença que é
enviada, afirmada e reafirmada para si próprio, sobre
os sinais advindos da realidade.
Ou
seja: é de suma importância no tratamento da
SP rever e ressignificar esses aspectos da subjetividade que
co-determinam o lidar com a vida como um todo. E para que
isso se realize com eficácia, faz-se necessário
seguir um processo psicoterapêutico (terapia) com um
profissional atualizado com os mais recentes estudos e pesquisas
sobre a interação mente/corpo, e em sua articulação
com os movimentos da atualidade.
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